Após
o período de Eclipse ao longo do século XX a teoria da evolução foi incorporada
a genética o que é chamado de síntese moderna e posteriormente a outras áreas
da biologia até o ponto de justificar a famosa frase “Nada na biologia faz
sentido, exceto pela luz da evolução” que foi título de um artigo publicado em
1973 pelo cientista Theodosius Dobzhansky. Através dessa afirmação, Dobzhansky
propôs creditar à evolução toda a sua relevância. Essa é uma teoria que ainda
tem menos de 200 anos no mundo científico e dentro do contexto da síntese
adquiriu um enorme poder explicativo no âmbito da biologia como uma teoria
unificadora.
A
síntese moderna também é conhecida síntese neodarwiniana ou neodarwinismo. Ela ressalta
a combinação da teoria da evolução de Charles Darwin e Alfred Russel Wallace,
às ideias mendelianas de hereditariedade em uma estrutura matemática conjunta.
Este termo foi cunhado por Julian Huxley em seu livro de 1942, Evolution: The
Modern Synthesis. A síntese moderna também abordou a relação entre a
macroevolução (cujo foco são as mudanças que ocorrem no nível de espécie ou
acima) e a microevolução (a qual tem por objeto de estudo mudanças evolutivas
dentro de uma espécie ou população, e podem ser descritas como mudanças nas
frequências alélicas).
Uma
pergunta interessante de se fazer seria de onde vieram esses termos? Eles foram
propostos por Yuri Felipchenko (Entomologo) no começo do século XX (Merricks,
2010). Seguindo de seus objetos de estudo poderíamos dizer que a microevolução
ocorre quando por exemplo um tentilhão fica com um bico ligeiramente mais
grosso ou quando uma mariposa muda de cor, ou seja, a microevolução trata de
pequenas mudanças que ocorrem dentro de cada espécie. A macroevolução trata de
variações bruscas. Um exemplo clássico é a mudança de habitat de animais
aquáticos para o meio terrestre, ou um animal terrestre virando um aquático.
Muito provavelmente a maneira como a macroevolução fornece certas explicações
podem levar a impressões errôneas a respeito dos mecanismos da evolução como
por exemplo que a evolução é instantânea.
Macroevolução
e microevolução são termos usados para delimitação de trabalho. Um serve para
tratar de eventos pontuais e outro usado para referencial para grandes grupos.
O grupo dos vertebrados está na esfera da macroevolução por exemplo. Quando
falamos em dinâmica populacional ou mudanças em alelos como já mencionado
estamos no domínio da microevolução.
Alguns
experimentos como com bactérias tornaram possíveis a descrição de eventos micro
evolutivos, ou seja, modificações pontuais nos organismos levando a especiação,
ou seja, provocando um evento macro evolutivo. Fazendo um paralelo com a arvore
filogenética da vida quanto mais voltamos no tempo mais parecidas elas são as
espécies. A delimitação da disciplina de macroevolução mostra, portanto, sua
importância quando a preocupação é a evolução de grandes grupos. Durante várias
décadas o termo caiu no esquecimento, mas por volta da década de 90 o termo
volta a ser usado, principalmente pelos pesquisadores da Teoria do Equilíbrio
Pontuado a qual foi responsável por uma movimentação importante no mundo
acadêmico durante os anos 80 e 90. Segundo essa teoria a evolução poderia ser
interpretada em saltos. E isto era possível porque a maneira gradual em que a
evolução acontece não se preserva em registros fosseis já que acontece em
populações muito pequenas.
Seguindo
a linha de raciocínio do equilíbrio pontuado proposto por Eldredge e Gould
(1972) uma maior importância teria que ser dada deriva genética, portanto as
mudanças que ocorrem graças a uma maior restrição do número de indivíduos da
população. Elas seriam mais importantes neste sentido do que o ambiente atuando
como seletor que extingue organismos que não se adaptaram a ele. Esses eventos
de especiação de fenótipos seriam rápidos e raros recebendo o nome de
cladogênese. O gradualismo e a microevolução por sua vez estariam associados a
eventos de anagênese que se refere a mudanças continuas nas linhagens ideia
mais afinada com a microevolução.
Gould
(1977) propõem um resumo das consequências da macroevolução para o equilíbrio
pontuado:
"Uma nova espécie pode surgir quando um pequeno
segmento da população ancestral é isolado na periferia da distribuição
geográfica ancestral. Populações centrais grandes e estáveis exercem um efeito
homogeneizador muito forte. Mutações novas e favoráveis são diluídas pela
grande quantidade de indivíduos pela qual ela precisa se espalhar. Elas podem
aumentar lentamente em frequência, mas mudanças no ambiente acabam cancelando
seus efeitos seletivos positivos muito antes que haja fixação da
característica. Assim, transformação filética em grandes populações deveria ser
muito rara - como o registro fóssil demonstra. Mas grupos pequenos,
perifericamente isolados, são separados da população estoque que lhes deu
origem. Eles vivem como minúsculas populações em cantos da distribuição
ancestral. Pressões seletivas são intensas porque as periferias marcam o limite
de tolerância ecológica das formas ancestrais. Variantes favoráveis se espalham
rapidamente. Pequenos isolados periféricos são um laboratório para a mudança
evolutiva."
"O que o registro fóssil deveria incluir se a
maior parte da evolução ocorre por especiação de isolados periféricos? Espécies
deveriam ser estáticas ao longo de sua distribuição porque nossos fósseis são o
remanescente de grandes populações centrais. Em qualquer área habitada por
ancestrais, a espécie descendente deveria aparecer de repente por migração da
região periférica em que ela evoluiu. Na região periférica em si, nós
deveríamos encontrar evidência direta de especiação, mas tal boa sorte seria
muito rara devido à rapidez com que tais eventos ocorrem, numa população muito
pequena. Assim, o registro fóssil é um retrato fiel do que a teoria evolutiva
prevê, não um vestígio pobre de um conto originalmente detalhado"
No
ano de 2007 Massimo Pigliucci propôs uma síntese evolutiva estendida para
incorporar aspectos da biologia que não foram incluídos ou não existiam até a
segunda metade do século XX. Ele revisa juntamente com Muller em 2008 a
importância relativa de diferentes fatores, questiona as suposições feitas na
síntese moderna e adiciona novos fatores, como seleção multinível, herança
epigenética transgeracional, construção de nicho e evolucionabilidade. Na
prática isso significa que a evolução não depende apenas da seleção natural e
não precisa necessariamente ter início em uma mutação. O livro Síntese
Estendida Evolutiva representa um marco para teoria evolutiva moderna pois
apresenta ideias mais sofisticadas e que explicam uma ampla gama de fenômenos.
Usando
como base Philippe Huneman e Denis M. Walsh e as ideias do livro escrito por
eles “Challenging the Modern Synthesis” podemos ver dois grandes grupos de
desafios que a síntese moderna enfrenta e que podem ter colaboração da síntese
estendida para ganharem melhor explicação. O primeiro grupo se refere as
maneiras, como herança epigenética, plasticidade fenotípica, o efeito Baldwin
(evolução ontogenética) e o efeito materno permitem que novas características
surjam e sejam transmitidas, e para os genes alcançarem as novas adaptações
mais tarde. A segunda é que todos esses mecanismos são parte, não de um sistema
de herança, mas de um sistema de desenvolvimento: a unidade fundamental não é um
gene discreto que compete egoisticamente, mas um sistema colaborativo que
funciona em todos os níveis de genes e células para organismos e culturas para
guiar a evolução.
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