quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

O Darwinismo de Darwin (Parte III)

 Discutindo um pouco acerca da recepção da teoria



Ao retornar de sua viagem abordo do Beagle Darwin tem sua teoria da evolução bem avançada, mas diante do contexto inglês não publica suas ideias, o que seria uma explicação histórica razoável, mas não a única. Algumas discussões historiográficas apontam outras explicações, uma delas é que Darwin não teria publicado por conta de sua relação com sua esposa que era anglicana muito fervorosa. Ele não pretendia ferir de nenhuma maneira os sentimentos tanto dela quanto da comunidade.

O que há de seguro historicamente falando é que de alguma forma esse pensamento Evolutivo desenvolvido por Darwin foi embasado por leituras que ele fazia compulsivamente de obras que chegavam até ele, a suas observações e ao que ele acompanhava nas sociedades.

Darwin se associou a muitas sociedades cientificas do século XIX. Na sua adolescência ele foi sócio da Sociedade Pliniana de Londres em que se faziam debates e apresentações de trabalhos naturalísticos. Posteriormente se associou a sociedade Lineana na sua volta do Beagle.

Ao retornar Darwin já tinha bem forte a ideia de gradualismo no desenvolvimento orgânico e a ideia de evolução, ou seja, de que as espécies não seriam fixas. Quando pensamos na teoria da evolução de Darwin que supostamente é exposta em sua obra A Origem das Espécies ou a preservação das raças favorecidas cuja primeira publicação é de 1859. Esse esboço síntese da obra dele está ligado a publicação da obra de outro naturalista que teria chegado a mesma ideia do Darwin que é o Alfred Wallace cujo perfil difere muito do seu. Darwin era um nobre vindo de família abastada o que lhe permitia trabalhar sem vínculos com universidades. Wallace por sua vez tinha que trabalhar, vivendo da venda de espécies que ele coletava em suas viagens e por volta de 1858 Wallace envia uma carta para o Darwin propondo uma teoria nova e que ele iria apresentar a sociedade Lineana, que se tratava justamente da explicação dos mecanismos de evolução das espécies. Em função disso e sob orientação de alguns amigos do Darwin principalmente do botânico Jonh Hooker e de Thomas Henry Huxley e que Darwin resolve enfim publicar.

Quando retomamos o pensamento evolutivo de Darwin estamos na verdade nos referindo a cinco teses as quais estão relacionadas a ideia de evolução é uma delas. Então estamos pensando em uma (1) teoria darwiniana da especiação (que não aparece somente na teria das espécies), (2) teoria da descendência comum (o que causou grandes problemas a ele dentro da sociedade inglesa), (3) Ideia de uma evolução gradual (tal como ocorria na geologia os organismos evoluem de uma forma gradual e lenta), (4) teoria da seleção natural (mecanismo pelo qual se explica a modificação das espécies) e por fim (5) a ideia de evolução como um todo (que seria oposição a ideia do fixismo). São essas cinco teses que compõem o que chamamos de teoria evolutiva do Darwin ou ainda de Darwinismo de Darwin. Cada tese dessas poderia ser examinada individualmente embora haja uma correlação muito forte entre elas.

Uma obra importante que ajudou na formação do pensamento evolutivo no século XIX e a publicação de a Origem das Espécies, e também de certa forma serviu como um estimulo a ela, foi uma obra chamada Vestígios da História Natural da Criação escrita por Robert Chambers. Na primeira publicação não assume que é o autor, porém apesar de trazer várias ideias erradas do ponto de vista da teoria do Darwin elas abriram caminho para o debate sobre as ideias da evolução. Há um consenso entre pesquisadores que as teses de Chambers eram equivocadas e que a partir delas ele tinha conclusões erradas. A sua publicação em 1844, todavia serviu como plano de fundo para que o problema da evolução fosse colocado de forma mais aguda. Associado ao estimulo de Wallace ter chegado ao mesmo ponto que ele.

A origem das espécies (1859) é sem dúvida o grande marco do pensamento evolutivo da contemporaneidade. Darwin referia-se a essa obra como um grande argumento, um esboço. A origem das espécies não é suficiente para entender a evolução é necessário avançar em algumas obras que ele publicou a posteriore. Mas é um marco histórico e considerada a obra síntese deste pensamento.

Ao nos referimos a recepção da teoria da evolução, ou seja, aos anos pós publicação vemos em jornais e revistas da época diversas sátiras.  Porém para além das críticas Darwin também é bem recebido em obras clássicas como “A ilha do Doutor Moreau” de 1896 do escritor H. G. Wells. Entretanto o que propriamente se chama de recepção do Darwinismo é o período que o historiador de biologia Peter J. Bowler chama de Eclipse do Darwinismo. No qual houveram muitos debates sobre a teoria de Darwin. Muitos pontos foram trabalhados e incorporados, tais como exemplos de evidencias da evolução. Apesar do fortes e bem consolidados argumentos nem todos os cientistas aceitaram a teoria da evolução de cara. A tese do gradualismo enfrentou imensa resistência dentro de círculos de pesquisadores que não eram fixistas propriamente ditos. A descendência comum teve mais aderência, muito provavelmente em virtude de pesquisas de botânicos como Asa Gray que era amigo de Darwin. Ele escreveu Flora da América do Norte (2 volumes, 1838-1843) com John Torrey e foi um líder entusiástico na descoberta e classificação de novas espécies. Não vislumbrando nenhum conflito entre a evolução e sua visão do projeto divino da natureza, apoiou as teorias de Darwin num momento em que elas eram condenadas por muitos cientistas e leigos. Desta forma através dele as ideias Darwinistas foram difundidas nos Estados Unidos da América.

Nas décadas iniciais do século XX teve início o desenvolvimento da genética com os primeiros “Mendelistas”, por assim dizer, como Hugo de Vries, William Bateson e outros não que aceitaram o a tese de seleção natural. Entretanto, entretanto no decorrer deste século a comunidade cientifica entrava cada vez mais em consenso acerca da base da teoria da evolução. Como por exemplo as espécies não são fixas elas se desenvolvem a partir de outras espécies e há uma ascendência comum.

Como qualquer outra teoria cientifica o Darwinismo sofreu muitas modificações em decorrência de debates internos de naturalistas que não necessariamente eram críticos ou negacionistas da evolução das espécies. Uma vez expostas em um contexto de ciência as teorias tornam-se dinâmicas e passiveis de modificação, o que não significa que está se colocando em cheque a veracidade ou o mérito de qualquer autor por seus próprios estudiosos. A teoria da evolução das espécies foi trabalhada, esculpida de acordo com os exemplos empíricos que eram descobertos. Por exemplo para Darwin os caracteres herdados por uma mistura que fazia transparecer a influência Lamarckista. Este ponto especifico da argumentação do Darwinismo é fraco e foi apontado como um erro dentro da teoria pelos “Mendelistas”, pois segundo eles haveria muita dificuldade de a seleção natural atuar deste modo. Todavia apesar de enganos como esse a teoria como um bloco se mantem de forma bem consistente.

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REFERENCIAS utilizadas para serie de post sobre a ESTRUTURA DA TEORIA EVOLUTIVA

  BOWLER, Peter. Evolution: The History of an Idea. Berkeley: University of California Press, 1989. BROWNE. Janet. A Origem das Espécies d...