quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

O Darwinismo de Darwin (Parte I)

 Charles Darwin não propôs coisas do nada - A história por traz do pensamento evolutivo.



No século XIX o pensamento dominante sobre evolução era oriundo de duas tradições: a tradição Inglesa (James Burnett, Lorde Monboddo, Erasmus Darwin,) e a tradição francesa (Georges-Louis Leclerc conhecido como conde de Buffon, Jean-Baptiste de Lamarck e Pierre Louis Moreau de Maupertuis). Darwin se forma dentro desta tradição inglesa.

Quando pensamos no avanço na difusão destas ideias evolutivas é importante não apenas situa-las em figuras. Mas situa-las em um contexto histórico sobre o qual essa discussão se deu. Parece razoável comparar duas analises deste período que se contrapõem. A primeira que podemos analisar é a de Ernst Mayr, evolucionista muito presente na segunda geração da proposta da síntese evolutiva. Alemão que trabalhou em Harvard durante muitos anos, Mayr escreveu muitas obras sobre revisões históricas de Darwin e sobre o Darwinismo. Ele possui uma obra monumental sobre o desenvolvimento do pensamento biológico. Na qual defende que a biologia pode ser entendida a partir de três grandes conceitos. Conceito de diversidade, conceito de herança e o conceito de evolução que está ligado a transformação.

Quando ele examina o caso do desenvolvimento do pensamento evolutivo ele entende ou atribui como grande entrave para o desenvolvimento das ideias evolutivas no século XIX foram as oriundas do pensamento essencialista. Então para Mayr de alguma maneira o pensamento essencialista não só orientou as pesquisas que não avançavam em uma proposta transformista evolutiva, como gerou uma certa barreira quando ideias revolucionarias surgiram.

Como contraponto colocamos Michael Ruse, filósofo inglês que escreveu muito a respeito da história da biologia, fez uma coletânea fantástica sobre Darwin e seus críticos. Nela ele e outros autores examinam alguns dos principais pontos das críticas feitas ao Darwinismo. Para este autor a ideia de evolução mais próxima de Darwin é a francesa, pois o contesto inglês dificultava a difusão dessas ideias. Esse autor é muito criticado dado que a França estava em um contexto político complicado de pós revolução francesa. Ruse também atribui um conservadorismo exagerado para Inglaterra a ponto de criar um ambiente extremamente insalubres para o florescimento das ideias evolutivas.

Uma das consequências desta tese é que talvez algumas das propostas anteriores a Darwin não tenham sido nada originais. Como por exemplo as ideias do avô do Darwin, Erasmus Darwin. Ruse afirma que seu livro Zoonomia traz uma ressignificação para conceitos já existentes. Já em Darwin haveria apesar disso originalidade no pensamento.

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REFERENCIAS utilizadas para serie de post sobre a ESTRUTURA DA TEORIA EVOLUTIVA

  BOWLER, Peter. Evolution: The History of an Idea. Berkeley: University of California Press, 1989. BROWNE. Janet. A Origem das Espécies d...