Charles Darwin não propôs coisas do nada - A história por traz do pensamento evolutivo.
No
século XIX o pensamento dominante sobre evolução era oriundo de duas tradições: a tradição Inglesa (James Burnett, Lorde Monboddo, Erasmus
Darwin,) e a tradição francesa (Georges-Louis Leclerc conhecido como conde de
Buffon, Jean-Baptiste
de Lamarck e Pierre Louis Moreau de Maupertuis). Darwin se forma dentro desta
tradição inglesa.
Quando
pensamos no avanço na difusão destas ideias evolutivas é importante não apenas
situa-las em figuras. Mas situa-las em um contexto histórico sobre o qual essa
discussão se deu. Parece razoável comparar duas analises deste período que se
contrapõem. A primeira que podemos analisar é a de Ernst Mayr, evolucionista
muito presente na segunda geração da proposta da síntese evolutiva. Alemão que
trabalhou em Harvard durante muitos anos, Mayr escreveu muitas obras sobre
revisões históricas de Darwin e sobre o Darwinismo. Ele possui uma obra monumental
sobre o desenvolvimento do pensamento biológico. Na qual defende que a biologia
pode ser entendida a partir de três grandes conceitos. Conceito de diversidade,
conceito de herança e o conceito de evolução que está ligado a transformação.
Quando
ele examina o caso do desenvolvimento do pensamento evolutivo ele entende ou
atribui como grande entrave para o desenvolvimento das ideias evolutivas no
século XIX foram as oriundas do pensamento essencialista. Então para Mayr de
alguma maneira o pensamento essencialista não só orientou as pesquisas que não
avançavam em uma proposta transformista evolutiva, como gerou uma certa
barreira quando ideias revolucionarias surgiram.
Como
contraponto colocamos Michael Ruse, filósofo inglês que escreveu muito a respeito
da história da biologia, fez uma coletânea fantástica sobre Darwin e seus
críticos. Nela ele e outros autores examinam alguns dos principais pontos das
críticas feitas ao Darwinismo. Para este autor a ideia de evolução mais próxima
de Darwin é a francesa, pois o contesto inglês dificultava a difusão dessas
ideias. Esse autor é muito criticado dado que a França estava em um contexto político
complicado de pós revolução francesa. Ruse também atribui um conservadorismo
exagerado para Inglaterra a ponto de criar um ambiente extremamente insalubres
para o florescimento das ideias evolutivas.
Uma
das consequências desta tese é que talvez algumas das propostas anteriores a
Darwin não tenham sido nada originais. Como por exemplo as ideias do avô do
Darwin, Erasmus Darwin. Ruse afirma que seu livro Zoonomia traz uma
ressignificação para conceitos já existentes. Já em Darwin haveria apesar disso
originalidade no pensamento.
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