quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

O Darwinismo de Darwin (Parte II)

 

Darwin naturalista, um pouco da vida do Darwin. Quais os aspectos presentes na Inglaterra vitoriana? Quais as influências do Darwin? A viagem abordo do HMS Beagle.



Como partindo deste contexto podemos entender a figura de Darwin? Uma visão muito difundida e um pouco ingênua é a de que Darwin formou-se naturalista durante a viagem abordo do HMS Beagle, concebendo a teoria da evolução com muitas observações e poucas leituras. Sendo, portanto, a teoria da evolução meramente intuitiva. Mas essa visão se desfaz com a leitura de cartas trocadas por ele e suas influências. Ainda podemos mencionar o fato de que muito novo ele foi enviado, pelo seu pai Robert Darwin para Cambrige cursar medicina e acompanhar seu Irmão Erasmus Darwin, que tinha o mesmo nome do seu avô. No meio acadêmico ele teve contato com figuras e áreas do conhecimento que floresciam muito no século XIX e que seriam decisivas para sua formação enquanto naturalista. Entre essas áreas estava a geologia. No início da viagem do Beagle ele teve contato com uma obra importante que foi lançada neste período (1830) de Charles Lion, que mais tarde se tornaria amigo de Darwin, chamada “Princípios de Geologia”. Nesta obra o autor Lion defende uma modificação gradual da crosta da Terra, seguindo essa linha de raciocínio já haveria então uma base para dedução da relação destas mudanças com o desenvolvimento gradual das espécies.

Janet Browne historiadora inglesa relata que Darwin teria ganhado o primeiro volume de Princípios de Geologia do capitão do navio HMS Beagle Robert Fitzroy (1805-1865), que era um geólogo amador. Darwin leu ainda os outros dois volumes do livro que era uma das obras mais atuais do seu tempo. Outro ponto importante são as cartas que Darwin troca com John Haslam botânico que havia sido seu professor em Cambrige. Nestas cartas Darwin demonstra um grande conhecimento sobre plantas. E deste modo temos mais uma prova que a teoria da evolução das espécies não é um conhecimento intuído sem nenhuma base teórica. Porém a Inglaterra da primeira metade do século XIX não permitia a difusão de ideias como as que estariam moldando o pensamento de Darwin e que contrariavam o pensamento fixista e essencialista.

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REFERENCIAS utilizadas para serie de post sobre a ESTRUTURA DA TEORIA EVOLUTIVA

  BOWLER, Peter. Evolution: The History of an Idea. Berkeley: University of California Press, 1989. BROWNE. Janet. A Origem das Espécies d...